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quinta-feira, 5 de junho de 2014

Lesão "SLAP" ou lesão do labrum: o ombro do arremessador

Muitos já ouviram falar de atletas que tiveram uma lesão no ombro chamada "SLAP lesion" ou lesão SLAP. É comum em esportes que envolvem arremesso ou saque, como tênis, vôlei, handebol, beisebol, entre outros. Mas você sabe o que é isso?













O úmero (osso do braço) se encaixa numa cavidade da escápula chamada glenoide. A glenoide, por sua vez, é revestida por uma cartilagem chamada labrum (ou lábio) glenoidal, que serve para proteger e também aumentar a estabilidade do ombro. A lesão SLAP ocorre quando o labrum se rompe ou se destaca da glenoide, podendo até entrar no meio da articulação do ombro, alterando sua capacidade de movimento e gerando dor.


Diversos jogadores como Rogério Ceni (futebol) e Murilo Endres (vôlei) já sofreram com essa lesão, portanto devemos entender bem o mecanismo da lesão para saber como preveni-la. 

Inicialmente, ocorre um encurtamento da cápsula posterior do ombro. Isto ocorre devido à grande sobrecarga que é gerada nessa região durante o final do arremesso ou saque. O braço está num movimento de alta velocidade e deve ser desacelerado pelos músculos da região. Entretanto, se eles não tem força suficiente para desacelerar o movimento, ou se o movimento é extremamente rápido, ocorre a sobrecarga na cápsula posterior do ombro de qualquer forma. A repetição desse estresse sobre a cápsula a leva a um processo de encurtamento e espessamento para aguentar a carga excessiva.


Veja o movimento em câmera lenta:


Porém este encurtamento é só o início de uma cascata de alterações no ombro. O encurtamento da cápsula muda o eixo de rotação do úmero para posterior e superior, aumentando assim a rotação externa e diminuindo a rotação interna no ombro. É comum vermos essas imagens em jogadores de beisebol, onde a rotação externa do ombro passa a ser excessiva e anormal, segundo os padrões biomecânicos. Essa situação coloca o labrum numa situação muito vulnerável, na qual ocorre cisalhamento, causando sua ruptura ou descolamento.

 Esta rotação externa exagerada pode levar a outros mecanismos de lesão, trazendo lesões associadas ao SLAP. Com a mudança do eixo de rotação do úmero, o ligamento glenoidal inferior anterior fica numa situação de pseudo-frouxidão (apesar de estar intacto, fica frouxo por não estar mais em contato ao redor do osso, como na imagem abaixo).

A - Posição normal dos ossos e ligamentos (sendo P, posterior e A, anterior). B - Frouxidão do ligamento glenoidal inferior anterior. C - A linha pontilhada mostra onde deveria estar o úmero, causando o estiramento do ligamento.
Assim, sem a restrição imposta pelo ligamento glenoidal inferior anterior, o úmero fica livre para fazer ainda mais rotação externa, ocasionando a torsão e compressão/esmagamento do manguito rotador.



Além disso, o tendão da porção longa do bíceps fica numa posição de torsão, o que aumenta o risco de lesão deste músculo e também o estresse no labrum glenoidal, piorando a lesão SLAP. A junção desses fatores ainda aumenta o risco de luxação ou subluxação anterior do úmero.

Entendendo o mecanismo da lesão SLAP, podemos concluir que a melhor forma de preveni-la é realizando o alongamento da cápsula posterior do ombro, e também fortalecendo os músculos do manguito rotador, para que estes consigam desacelerar melhor o movimento de arremesso e saque.



Também é recomendada a correção do gesto esportivo, para que o atleta consiga usar a rotação de tronco, de forma a auxiliar e diminuir a demanda rotacional do ombro.

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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

"Ombro congelado" ou Capsulite Adesiva

Muitas de nossas articulações sinoviais realizam movimentos de grande amplitude. Para que este movimento não seja exagerado e cause uma luxação (quando a articulação sai do lugar), existe uma estrutura fibrosa que as envolve, chamada cápsula articular.
  

Entretanto, alguns problemas nesta cápsula podem fazer com que ela restrinja demais os nossos movimentos, dificultando tarefas do cotidiano e causando dor.

É o caso da capsulite adesiva, também conhecida como "síndrome do ombro congelado", que é uma alteração da cápsula articular do ombro, que restringe os movimentos desta articulação.

A capsulite aparece geralmente entre os 40 e 60 anos de idade, com incidência maior em mulheres, sendo também mais comum em pessoas com diabetes. Não há relação com o membro dominante.

Alguns fatores podem predispor um indivíduo a desenvolver a capsulite adesiva, como traumas envolvendo a articulação, bursites do ombro, tendinite do manguito rotador, imobilização pós-fratura, e até mesmo problemas pulmonares, cirurgias cardíacas ou de mama; porém em muitos casos, a causa não é conhecida (idiopática).

Seu início geralmente é insidioso, sendo que no primeiro estágio da doença (fase pré-adesiva) ocorre apenas inflamação da cápsula sinovial, sem dor ou limitação do movimento. Após alguns meses, começa a fase de congelamento ou enrijecimento, quando a cápsula começa a criar aderências na cabeça do úmero, dificultando a movimentação do ombro (principalmente para os movimentos de elevação do braço acima da cabeça, rotação interna e externa) e causando dor.

Neste momento, o paciente pode ter dificuldade em atividades como pentear os cabelos, pendurar roupas, alcançar objetos altos, abrir o sutiã (no caso das mulheres), abrir maçanetas ou coçar as costas.





Por fim ocorre a fase de descongelamento, que em alguns casos pode ser espontânea, quando a cápsula começa a recuperar sua elasticidade. O paciente pode ter seus movimentos recuperados, porém caso haja uma retração muito grande da cápsula devido à fibrose, esta recuperação pode não ser completa.

Por isso, a fisioterapia deve ser realizada o mais precocemente possível, com os seguintes objetivos:

- manter e/ou recuperar a amplitude de movimento do ombro, para que a retração da cápsula e ligamentos seja mínima;

- manter a força e resistência dos músculos que envolvem a articulação;

- utilizar recursos manuais como tração e mobilização articular para diminuir as aderências articulares e capsulares;

- diminuir a dor, por meio de recursos de eletro e termoterapia;

- treinar as funções do dia-a-dia que estão comprometidas.

Também pode ser realizado o bloqueio anestésico para diminuição da dor, permitindo uma melhor realização da fisioterapia. Poucos casos necessitam de cirurgia.

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