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terça-feira, 19 de março de 2013

Síndrome fêmoro-patelar: a "síndrome do cinema"

Você tem dores no joelho após ficar muito tempo sentado? Ou subindo escadas?

Isso pode ser síndrome fêmoro-patelar, a "síndrome do cinema"!


Ao sentarmos, flexionamos os joelhos num ângulo de 90°, ou mais em alguns casos. Nesta posição, o músculo anterior da coxa (quadríceps) é tracionado em alongamento, pressionando a patela contra o fêmur. Se houver um desalinhamento entre esses ossos, a compressão causada pode gerar dor. É por isso que a síndrome fêmoro-patelar dói ao ficarmos sentados por muito tempo, assim como ficamos no cinema (no mínimo uma hora e meia sentados na mesma posição)!

A síndrome fêmoro-patelar é um diagnóstico muito abrangente para dores na região anterior  do joelho, posteriormente e em torno da patela. Geralmente ocorre quando a patela faz seu movimento de forma lateralizada, ao invés de centralizada, aumentando o estresse e sobrecarga na sua região lateral, e na região lateral do fêmur, causando a dor. 

A síndrome pode ter várias causas: encurtamento de estruturas da lateral da coxa e joelho, fraqueza do músculo vasto medial oblíquo, ou desalinhamentos biomecânicos (ou a combinação desses fatores). O encurtamento das estruturas laterais da coxa e joelho, como o trato íleo-tibial, músculo tensor da fáscia lata e retináculo patelar deve ser tratado com o alongamento destas estruturas. 

Já a fraqueza do músculo vasto medial oblíquo deve ser tratada por meio de seu fortalecimento, que pode ser em cadeia cinética aberta ou fechada, desde que sem dor. 
 
Por fim, a causa mais difícil de ser tratada é o desalinhamento biomecânico, pois nem sempre estes são tratáveis. Entre os desalinhamentos tratáveis, temos o pé pronado – que aumenta o valgismo dos joelhos, e lateralizando a patela – e a própria patela lateralizada ou inclinada. No primeiro caso, podemos tratar a pronação do pé por meio da correção da pisada e fortalecimento dos músculos intrínsecos do pé, que formam o arco longitudinal medial do pé, ou até mesmo utilizando uma bandagem que desempenhe a função do arco. Já no segundo caso, as bandagens de posicionamento de patela são amplamente usadas. 

Entre os desalinhamentos não tratáveis, temos pelves largas, que também aumentam o valgismo de joelho, piorando a lateralização patelar. 

É comum casos mistos, onde vários destes fatores estejam presentes. Nestes casos o fisioterapeuta precisa tratar várias dessas causas ao mesmo tempo, então lembre-se: o joelho precisa ter flexibilidade, força, estabilidade e alinhamento.

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quarta-feira, 25 de julho de 2012

O treinamento excêntrico na tendinopatia patelar


É muito frequente vermos pessoas com dor nos punhos, cotovelos ou joelhos dizerem que estão com tendinite (por diagnóstico médico ou até "autodiagnóstico").

A tendinite é uma inflamação dos tendões, muito comum por esforços repetitivos e posicionamentos errados durante a realização de movimentos. Porém muitas vezes, este diagnóstico pode estar errado.

Existem muitos estudos histopatológicos que encontraram alterações degenerativas, e não inflamatórias, em casos de tendinopatias patelares, por exemplo.

A patela é um osso que fica na parte anterior do joelho e se articula com o fêmur, servindo de eixo para aumentar a alavanca de força do músculo quadríceps femoral (que se fixa na patela e continua até a tíbia pelo tendão patelar).



Por ser o principal músculo extensor do joelho, o quadríceps é muito solicitado no nosso dia-a-dia, como no andar, agachar, descer e subir escadas. Sendo assim, se fizermos estes movimentos de forma errada ou em excesso (além do que nosso organismo suporta), estamos sujeitos a ter essa tendinopatia.

A tendinopatia por sobreuso foi caracterizada nos estudos mais recentes como uma lesão degenerativa, com desorganização das fibras de colágeno, caracterizando um processo crônico.

A tendinopatia patelar é muito comum em atletas, e pode estar relacionada aos seguintes fatores:

Extrínsecos:
- cargas excessivas
- erros de treinamento (intensidade e frequência inadequadas)
- superfície de treino
- calçado inadequado

Intrínsecos:
- idade, sexo, peso, altura
- diminuição de flexibilidade e força
- formato da patela
- desalinhamento dos membros inferiores (joelho valgo, varo, hiperestendido...)
- frouxidão ligamentar

O estresse em excesso na articulação, somado à sobrecarga compressiva sobre a patela na flexão do joelho, causa alterações vasculares e rompimento das fibras colágenas, causando dor e degeneração do tendão.

Os exercícios excêntricos auxiliam na reorganização e produção de colágeno, ajudando na recuperação do processo degenerativo.



Além disso, devem ser trabalhados os desequilíbrios biomecânicos do sujeito com tendinopatia, como encurtamentos musculares, fraqueza e desequilíbrio de certos grupos musculares, e desalinhamento das articulações. Este trabalho pode aumentar a flexibilidade, força, estabilidade, alinhamento e performance nos movimentos e gestos esportivos, antes realizados de forma incorreta. 

A diminuição de dor é significativa e a performance do atleta no esporte pode melhorar muito!

Saiba como fazer este treinamento: