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segunda-feira, 16 de junho de 2014

Pilates para tenistas

O tênis é um esporte que exige agilidade, força, resistência, equilíbrio, precisão e coordenação. Entretanto é um esporte muito assimétrico, e com muitas mudanças de direção; deixando o atleta mais susceptível a lesões como a epicondilite lateral e a lesão SLAP.

Pensando nessas características do esporte, muitas atletas da modalidade incorporaram o Pilates como forma de complementar seu treino esportivo; diminuindo o risco dessas e outras lesões, e ainda melhorando o desempenho esportivo.

Andy Murray e Serena Williams são exemplos de tenistas que já aderiram a essa prática e tiveram resultados muito significativos.

O Pilates trabalha o centro de força (também conhecido como CORE), formado por músculos como os abdominais e paravertebrais. Este CORE é responsável por manter a estabilidade da coluna, diminuindo o risco de lesões da mesma. Se o CORE não for acionado durante a prática do tênis, o atleta fará extensão excessiva da coluna de forma descontrolada e instável, causando dor e lesão.


Além disso, um tronco estável permite movimentos mais precisos e coordenados dos membros, melhorando a precisão das rebatidas e saque. 

Além de estabilidade, a coluna do tenista deve ter mobilidade para os movimentos torcionais e de extensão, e os membros devem ter bastante flexibilidade, para alcançar grandes amplitudes de movimento.

O Pilates trabalha também a força do manguito rotador, de forma concêntrica e excêntrica, melhorando a força da rebatida e do saque, mas também a força de desaceleração do membro, que aumenta a precisão do movimento e diminui o risco de uma lesão de SLAP. A junção destes fatores melhora a potência do movimento, essencial para os tenistas. Além disso, a assimetria de membros superiores destes atletas leva a um grande desequilíbrio muscular, que pode aumentar o risco de lesões. O Pilates trabalha para restaurar o equilíbrio da musculatura corporal como um todo, deixando o atleta mais simétrico e eficiente.



Outros benefícios do Pilates são a maior estabilidade e alinhamento de pelve, quadril, joelho e tornozelo, que ficam muitos susceptíveis a lesões devido às grandes mudanças de direção e deslocamentos laterais exigidos no esporte.

Também há uma melhora do controle respiratório, altamente desenvolvido no Pilates, e da concentração do atleta.

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quinta-feira, 5 de junho de 2014

Lesão "SLAP" ou lesão do labrum: o ombro do arremessador

Muitos já ouviram falar de atletas que tiveram uma lesão no ombro chamada "SLAP lesion" ou lesão SLAP. É comum em esportes que envolvem arremesso ou saque, como tênis, vôlei, handebol, beisebol, entre outros. Mas você sabe o que é isso?













O úmero (osso do braço) se encaixa numa cavidade da escápula chamada glenoide. A glenoide, por sua vez, é revestida por uma cartilagem chamada labrum (ou lábio) glenoidal, que serve para proteger e também aumentar a estabilidade do ombro. A lesão SLAP ocorre quando o labrum se rompe ou se destaca da glenoide, podendo até entrar no meio da articulação do ombro, alterando sua capacidade de movimento e gerando dor.


Diversos jogadores como Rogério Ceni (futebol) e Murilo Endres (vôlei) já sofreram com essa lesão, portanto devemos entender bem o mecanismo da lesão para saber como preveni-la. 

Inicialmente, ocorre um encurtamento da cápsula posterior do ombro. Isto ocorre devido à grande sobrecarga que é gerada nessa região durante o final do arremesso ou saque. O braço está num movimento de alta velocidade e deve ser desacelerado pelos músculos da região. Entretanto, se eles não tem força suficiente para desacelerar o movimento, ou se o movimento é extremamente rápido, ocorre a sobrecarga na cápsula posterior do ombro de qualquer forma. A repetição desse estresse sobre a cápsula a leva a um processo de encurtamento e espessamento para aguentar a carga excessiva.


Veja o movimento em câmera lenta:


Porém este encurtamento é só o início de uma cascata de alterações no ombro. O encurtamento da cápsula muda o eixo de rotação do úmero para posterior e superior, aumentando assim a rotação externa e diminuindo a rotação interna no ombro. É comum vermos essas imagens em jogadores de beisebol, onde a rotação externa do ombro passa a ser excessiva e anormal, segundo os padrões biomecânicos. Essa situação coloca o labrum numa situação muito vulnerável, na qual ocorre cisalhamento, causando sua ruptura ou descolamento.

 Esta rotação externa exagerada pode levar a outros mecanismos de lesão, trazendo lesões associadas ao SLAP. Com a mudança do eixo de rotação do úmero, o ligamento glenoidal inferior anterior fica numa situação de pseudo-frouxidão (apesar de estar intacto, fica frouxo por não estar mais em contato ao redor do osso, como na imagem abaixo).

A - Posição normal dos ossos e ligamentos (sendo P, posterior e A, anterior). B - Frouxidão do ligamento glenoidal inferior anterior. C - A linha pontilhada mostra onde deveria estar o úmero, causando o estiramento do ligamento.
Assim, sem a restrição imposta pelo ligamento glenoidal inferior anterior, o úmero fica livre para fazer ainda mais rotação externa, ocasionando a torsão e compressão/esmagamento do manguito rotador.



Além disso, o tendão da porção longa do bíceps fica numa posição de torsão, o que aumenta o risco de lesão deste músculo e também o estresse no labrum glenoidal, piorando a lesão SLAP. A junção desses fatores ainda aumenta o risco de luxação ou subluxação anterior do úmero.

Entendendo o mecanismo da lesão SLAP, podemos concluir que a melhor forma de preveni-la é realizando o alongamento da cápsula posterior do ombro, e também fortalecendo os músculos do manguito rotador, para que estes consigam desacelerar melhor o movimento de arremesso e saque.



Também é recomendada a correção do gesto esportivo, para que o atleta consiga usar a rotação de tronco, de forma a auxiliar e diminuir a demanda rotacional do ombro.

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