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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Luxação cervical: entenda o quadro de Laís Souza


Hoje foi dia de abertura das Olimpíadas de Inverno em Sochi, na Rússia.

A ex-ginasta brasileira Laís Souza, que ficou conhecida na ginástica artística pelo salto sobre a mesa,  iria representar o Brasil na categoria esqui aerials, porém sofreu um acidente durante os treinamentos e não vai participar.

Entenda a lesão de Laís:

Laís esquiava com seu técnico, Ryan Snow, quando caiu e bateu a nuca em uma árvore, o que levou a uma luxação da terceira vértebra cervical. A luxação é quando ocorre deslocamento de um osso em relação a outro, como na figura à direita.

Entretanto, logo atrás da coluna vertebral, temos a medula espinhal (conjunto de fibras nervosas que ligam o cérebro ao restante do corpo). Sendo assim, se uma vértebra se desloca, é possível que a medula seja comprimida e lesionada, interrompendo, parcial ou totalmente, a passagem de inputs nervosos do cérebro para o nosso tronco e membros e vice-versa, abaixo do nível da lesão.




Logo após o acidente, a atleta foi levada ao Hospital Universitário de Utah, em Salt Lake City. Lá foi realizada a cirurgia de fixação da vértebra, porém ainda não se sabe se as sequelas serão temporárias ou não, já que os médicos não divulgaram se a lesão da ex-ginasta foi parcial ou completa.


No caso de Laís, como a lesão foi na cervical, comprometeu o movimento de braços e pernas (tetraplegia), além de funções como a respiração e a deglutição. Por este motivo, Laís respira com ajuda de aparelhos, e passou por um procedimento de gastrostomia (colocação de sonda para alimentação direta no estômago).

A atleta brasileira foi transferida para o Hospital da Universidade de Miami - o mesmo onde Jaqueline, do vôlei, foi após sofrer uma fratura cervical - onde passará pela fase de readaptação, que consiste em readaptar o organismo para a nova condição, já que ela agora tem que se acostumar com a posição deitada. Posteriormente, em um centro de reabilitação, a equipe de fisioterapia será essencial para avaliar os movimentos remanescentes de Laís e escolher uma cadeira de rodas ideal para seu caso, e a partir daí ela será treinada para ter o máximo de autonomia dentro de seu quadro clínico.

Vamos torcer para que Laís se recupere o mais rápido e melhor possível, e também para nossos atletas nos jogos olímpicos de Sochi!

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Síndrome do chicote - acidentes automobilísticos

Estatísticas publicadas recentemente na revista Veja mostram que os acidentes automobilísticos são a segunda maior causa de morte no país. Além de muitos casos fatais, estes acidentes podem ter outras consequências, como fraturas, amputações e lesão medular.

Porém existe um tipo de lesão muito frequente em acidentes de trânsito, porém pouco comentada e entendida: a síndrome do chicote.

No Brasil, 300 a cada 100.000 habitantes são atendidos em setores de emergência por ano devido a esta síndrome. Considerando que muitos casos não são reportados nem diagnosticados, podemos afirmar que a incidência desta lesão é muito maior.

O mecanismo do chicote ocorre por uma aceleração-desaceleração de transferência de energia aplicada ao pescoço, e por isso é muito associada a acidentes de carro, já que é decorrente de freadas bruscas e/ou colisões.



O impacto na região cervical pode causar lesões ósseas e em tecidos moles, podendo ocasionar diversas manifestações clínicas, como cervicalgia (dor no pescoço), rigidez cervical, tontura e perda de equilíbrio, parestesias (distúrbios sensoriais como formigamento ou hipersensibilidade ao frio), alterações motoras no pescoço, e até problemas cognitivos, como a perda de memória. É comum também, além da dor cervical, dores em ombros, braços e coluna.

Esta série de sintomas pode se iniciar imediatamente após o acidente, ou até 15 horas depois. Entretanto, não há um critério diagnóstico concreto da síndrome, somente os sintomas referidos pelo paciente. É importante também realizar exames clínicos e de imagem para descartar fraturas, lesões musculares ou medulares.

A síndrome foi classificada segundo a Quebec Task Force em 4 graus:

- Grau 1: sem sem sinais físicos, mas com queixa de dor, rigidez e hipersensibilidade cervical;

- Grau 2: presença de problemas musculoesqueléticos como diminuição da amplitude de movimento e áreas de hipersensibilidade;

- Grau 3: Presença de sinais neurológicos, como déficits motores e/ou sensoriais ou anormalidade dos reflexos miotendíneos;

- Grau 4: Presença de fraturas ou luxações.

Apesar de não ser inteiramente esclarecida, acredita-se que existam lesões ocultas relacionadas ao mecanismo do chicote, como microfraturas nas articulações facetárias das vértebras. Também é possível que ocorram microlesões e distensões de estruturas como a cápsula articular, ligamentos, artérias, tecido neural e ânulo fibroso dos discos intervertebrais.



O tratamento inicial da lesão do chicote costumava ser a imobilização com colar cervical, porém estudos recentes concluíram que a imobilização prolonga o tempo de recuperação da síndrome. Portanto, o tratamento indicado atualmente é a fisioterapia. Com exercícios funcionais, deve-se aos poucos recuperar a amplitude de movimento e reeducar a musculatura, para que esta retorne aos padrões de movimento anteriores à lesão.


Por ser comumente associado a sintomas de estresse pós-traumático, o tratamento psicológico também é de grande valia para a recuperação dos indivíduos com a síndrome do chicote.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

"Ombro congelado" ou Capsulite Adesiva

Muitas de nossas articulações sinoviais realizam movimentos de grande amplitude. Para que este movimento não seja exagerado e cause uma luxação (quando a articulação sai do lugar), existe uma estrutura fibrosa que as envolve, chamada cápsula articular.
  

Entretanto, alguns problemas nesta cápsula podem fazer com que ela restrinja demais os nossos movimentos, dificultando tarefas do cotidiano e causando dor.

É o caso da capsulite adesiva, também conhecida como "síndrome do ombro congelado", que é uma alteração da cápsula articular do ombro, que restringe os movimentos desta articulação.

A capsulite aparece geralmente entre os 40 e 60 anos de idade, com incidência maior em mulheres, sendo também mais comum em pessoas com diabetes. Não há relação com o membro dominante.

Alguns fatores podem predispor um indivíduo a desenvolver a capsulite adesiva, como traumas envolvendo a articulação, bursites do ombro, tendinite do manguito rotador, imobilização pós-fratura, e até mesmo problemas pulmonares, cirurgias cardíacas ou de mama; porém em muitos casos, a causa não é conhecida (idiopática).

Seu início geralmente é insidioso, sendo que no primeiro estágio da doença (fase pré-adesiva) ocorre apenas inflamação da cápsula sinovial, sem dor ou limitação do movimento. Após alguns meses, começa a fase de congelamento ou enrijecimento, quando a cápsula começa a criar aderências na cabeça do úmero, dificultando a movimentação do ombro (principalmente para os movimentos de elevação do braço acima da cabeça, rotação interna e externa) e causando dor.

Neste momento, o paciente pode ter dificuldade em atividades como pentear os cabelos, pendurar roupas, alcançar objetos altos, abrir o sutiã (no caso das mulheres), abrir maçanetas ou coçar as costas.





Por fim ocorre a fase de descongelamento, que em alguns casos pode ser espontânea, quando a cápsula começa a recuperar sua elasticidade. O paciente pode ter seus movimentos recuperados, porém caso haja uma retração muito grande da cápsula devido à fibrose, esta recuperação pode não ser completa.

Por isso, a fisioterapia deve ser realizada o mais precocemente possível, com os seguintes objetivos:

- manter e/ou recuperar a amplitude de movimento do ombro, para que a retração da cápsula e ligamentos seja mínima;

- manter a força e resistência dos músculos que envolvem a articulação;

- utilizar recursos manuais como tração e mobilização articular para diminuir as aderências articulares e capsulares;

- diminuir a dor, por meio de recursos de eletro e termoterapia;

- treinar as funções do dia-a-dia que estão comprometidas.

Também pode ser realizado o bloqueio anestésico para diminuição da dor, permitindo uma melhor realização da fisioterapia. Poucos casos necessitam de cirurgia.

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quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Vôlei sentado


O vôlei brasileiro foi muito bem sucedido nestas Olimpíadas de Londres. Em quadra, a seleção feminina ganhou medalha de ouro e a masculina, prata. No vôlei de prata, a dupla Alison e Emanuel nos trouxe uma medalha de prata, e o bronze veio pela dupla Juliana e Larissa.

Desta forma, o vôlei passou a vela no ranking de medalhas totais do Brasil em Olimpíadas. Ao todo, o vôlei já trouxe 20 medalhas olímpicas para o Brasil, seguido pelo judô, com 19 medalhas; e a vela, com 17.

Entretanto, existe uma terceira modalidade de vôlei: o VÔLEI SENTADO, praticado somente por atletas com alguma deficiência.



O vôlei sentado surgiu em 1956, na Holanda, a partir da fusão do voleibol convencional e o sitzbal, (esporte alemão jogado sem rede, praticado por pessoas com mobilidade limitada que jogam sentadas). Nesta modalidade podem competir pessoas com diferentes tipos de deficiência: amputados, paralisados cerebrais, lesionados na coluna vertebral e pessoas com outros tipos de deficiência locomotora. 

O vôlei sentado foi incluído nos Jogos Paraolímpicos em 1980. O Brasil estreou nesta modalidade nas Paraolimpíadas de Beijing em 2008. Existem seleções masculinas e femininas.

Além de estarem sentados ao invés de em pé, existem algumas outras diferenças do vôlei sentado em relação ao convencional: 

- a quadra é menor, medindo 10x6m; e a altura da rede também é inferior (1,15m do solo no masculino e 1,05m para o feminino)

- no voleibol paralímpico o saque pode ser bloqueado

- é permitido o contato das pernas de jogadores de um time com os do outro, porém as mesmas não podem atrapalhar o jogo do adversário

- o contato com o chão deve ser mantido em toda e qualquer ação, sendo permitido perdê-lo somente nos deslocamentos.

As semelhanças estão no número de sets e pontos por set (cada jogo é decidido em melhor de cinco sets, vencendo o time que marcar 25 pontos no set. Em caso de empate, ganha o primeiro que abrir dois pontos de vantagem. Há ainda o tie breakde 15 pontos).

Vamos então torcer para que nossa seleção de vôlei sentado traga tantas medalhas como no vôlei "convencional".




Veja também outros esportes paraolímpicos:




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quarta-feira, 29 de agosto de 2012

O Futebol Paraolímpico

Continuando a série de posts sobre esportes paraolímpicos, irei falar da modalidade esportiva mais popular no Brasil: o futebol!


O futebol está representado nas Paraolimpíadas em duas modalidades: "futebol de cinco" e "futebol de sete".

O futebol de cinco é exclusivo para cegos ou deficientes visuais. As partidas podem ser em uma quadra de futsal adaptada ou em campos de grama sintética. 
Cada time é formado por cinco jogadores – um goleiro e quatro na linha. O goleiro é o único jogador que tem visão total e não pode ter participado de competições oficiais da Fifa nos últimos cinco anos. 



Diferente dos estádios com a torcida gritando, as partidas de futebol de cinco são silenciosas, em locais sem eco. A bola tem guizos internos para que os atletas consigam localizá-la. A torcida só pode se manifestar na hora do gol. Os jogadores usam uma venda nos olhos e se tocá-la é falta. Com cinco infrações, o atleta é expulso de campo e pode ser substituído por outro jogador. Há ainda um guia, o chamador, que fica atrás do gol, para orientar os jogadores, dizendo onde devem se posicionar em campo e para onde devem chutar. O jogo tem dois tempos de 25 minutos e intervalo de 10 minutos.

Os jogadores são classificados em 3 categorias:

B1 – Cego total: de nenhuma percepção luminosa em ambos os olhos até a percepção de luz, mas com incapacidade de reconhecer o formato de uma mão a qualquer distância ou direção.
B2 – Jogadores já têm a percepção de vultos. Da capacidade em reconhecer a forma de uma mão até a acuidade visual de 2/60 e/ou campo visual inferior a 5 graus.
B3 – Os jogadores já conseguem definir imagens. Da acuidade visual de 2/60 a acuidade visual de 6/60 e/ou campo visual de mais de 5 graus e menos de 20 graus.

Para garantir a igualdade entre eles, todos usam uma venda; porém em Jogos Paralímpicos, esta modalidade é exclusivamente praticada por atletas da classe B1 (cegos totais).

Já o futebol de sete é praticado por atletas do sexo masculino, com paralisia cerebral, decorrente de seqüelas de traumatismo crânio-encefálico ou acidente vascular encefálico. Cada time tem sete jogadores (incluindo o goleiro) e cinco reservas. A partida dura 60 minutos, divididos em dois tempos de 30, com um intervalo de 15 minutos. Não existe regra para impedimento e a cobrança lateral pode ser feita com apenas uma das mãos, rolando a bola no chão. Os jogadores pertencem às classes menos afetadas pela paralisia cerebral e não usam cadeira de rodas.



Os jogadores são distribuídos em classes de 5 a 8, de acordo com o grau de comprometimento físico. Quanto maior a classe, menor o comprometimento do atleta. Durante a partida, o time deve ter em campo no máximo dois atletas da classe 8 (menos comprometidos) e, no mínimo, um da classe 5 ou 6 (mais comprometidos). Os jogadores da classe 5 são os que têm o maior comprometimento motor e, em muitos casos, não conseguem correr. Assim, para estes atletas, a posição mais comum é a de goleiro. Vale lembrar que a paralisia cerebral compromete de variadas formas a capacidade motora dos atletas, mas, em cerca de 45% dos indivíduos, a capacidade intelectual não é comprometida.


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quarta-feira, 25 de julho de 2012

O treinamento excêntrico na tendinopatia patelar


É muito frequente vermos pessoas com dor nos punhos, cotovelos ou joelhos dizerem que estão com tendinite (por diagnóstico médico ou até "autodiagnóstico").

A tendinite é uma inflamação dos tendões, muito comum por esforços repetitivos e posicionamentos errados durante a realização de movimentos. Porém muitas vezes, este diagnóstico pode estar errado.

Existem muitos estudos histopatológicos que encontraram alterações degenerativas, e não inflamatórias, em casos de tendinopatias patelares, por exemplo.

A patela é um osso que fica na parte anterior do joelho e se articula com o fêmur, servindo de eixo para aumentar a alavanca de força do músculo quadríceps femoral (que se fixa na patela e continua até a tíbia pelo tendão patelar).



Por ser o principal músculo extensor do joelho, o quadríceps é muito solicitado no nosso dia-a-dia, como no andar, agachar, descer e subir escadas. Sendo assim, se fizermos estes movimentos de forma errada ou em excesso (além do que nosso organismo suporta), estamos sujeitos a ter essa tendinopatia.

A tendinopatia por sobreuso foi caracterizada nos estudos mais recentes como uma lesão degenerativa, com desorganização das fibras de colágeno, caracterizando um processo crônico.

A tendinopatia patelar é muito comum em atletas, e pode estar relacionada aos seguintes fatores:

Extrínsecos:
- cargas excessivas
- erros de treinamento (intensidade e frequência inadequadas)
- superfície de treino
- calçado inadequado

Intrínsecos:
- idade, sexo, peso, altura
- diminuição de flexibilidade e força
- formato da patela
- desalinhamento dos membros inferiores (joelho valgo, varo, hiperestendido...)
- frouxidão ligamentar

O estresse em excesso na articulação, somado à sobrecarga compressiva sobre a patela na flexão do joelho, causa alterações vasculares e rompimento das fibras colágenas, causando dor e degeneração do tendão.

Os exercícios excêntricos auxiliam na reorganização e produção de colágeno, ajudando na recuperação do processo degenerativo.



Além disso, devem ser trabalhados os desequilíbrios biomecânicos do sujeito com tendinopatia, como encurtamentos musculares, fraqueza e desequilíbrio de certos grupos musculares, e desalinhamento das articulações. Este trabalho pode aumentar a flexibilidade, força, estabilidade, alinhamento e performance nos movimentos e gestos esportivos, antes realizados de forma incorreta. 

A diminuição de dor é significativa e a performance do atleta no esporte pode melhorar muito!

Saiba como fazer este treinamento:


quinta-feira, 31 de maio de 2012

Como construir banheiros para deficientes físicos /cadeirantes

O banheiro é um dos maiores desafios diários para pessoas com deficiência física, sobretudo para os cadeirantes. Por isto, a reforma ou construção da casa onde vivem, requer um projeto especial.



Qualquer pequeno detalhe facilita ou dificulta muito o acesso e a independência do cadeirante.

Veja uma relação do que não deve ser esquecido:

. As portas precisam ter a largura de no mínimo 80cm; 
. As torneiras devem preferencialmente ser do tipo pressão e os misturadores monocomando (tanto na pia quanto no chuveiro); 
. As maçanetas devem ser do tipo alavanca; 
. O espaço livre no banheiro deve ser suficiente para manobrar a cadeira (para o giro de 360º, é necessário um diâmetro de 1,5m livre); 
. São necessárias barras de apoio em todo o banheiro, para uso do chuveiro, do vaso e da pia; 
. A altura da pia deve ser de 80cm do piso com o vão livre abaixo de 70cm de altura; 
. A borda inferior do espelho deve estar a uma altura de 90cm do piso; 
. As portas dos boxes devem ter no mínimo 0.80cm de largura, mas se for possível é preferível não haver porta; 
. O espaço do box deve ter 1,50 x 1,50 m 
. Os assentos dos vasos sanitários tem que estar a uma altura de 46cm do piso; 
. Os desníveis máximos no piso devem ser de 2cm.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

A famosa tendinite

A tendinite é uma patologia que acomete os tendões, e pode acontecer em qualquer região do nosso corpo. 
Os tendões são estruturas fibrosas constituídas de tecido conjuntivo que ligam um músculo a uma estrutura óssea. A força de contração promovida pelo músculo é transmitida ao tendão, que por sua vez move o osso, gerando os nossos movimentos.



Da mesma forma, quando um músculo recebe uma carga de trabalho excessiva ou numa posição incorreta, esta é transmitida para o tendão. A sobrecarga no tendão acarreta em um processo inflamatório na região: a famosa tendinite!
Entre os principais sintomas da tendinite estão dor e edema (inchaço) da região acometida, e em casos mais severos pode evoluir com fraqueza muscular e diminuição dos movimentos da articulação.
As causas mais comuns de tendinite são as lesões por esforços repetitivos (LER/DORT) e o posicionamento incorreto no uso do computador.
A tendinite leve pode ser curada com repouso da articulação. Para diminuição da dor e edema pode ser usado o gelo, que além do efeito analgésico, diminui o processo inflamatório.
Em casos recorrentes ou crônicos (mais de 3 semanas), é indispensável realizar uma avaliação fisioterapêutica dos movimentos da articulação acometida. O fisioterapeuta deve indicar a posição e forma correta de realizar o movimento, por meio de exercícios passivos, assistidos, ativos e até resistidos. Também são importantes alongamentos e mobilização da região.
Além disso, a realização do ultrassom pode ser uma boa alternativa para atenuar a dor e a inflamação local.
Casos de tendinites não resolvidos podem causar degeneração dos tendões (tendinose). Uma vez degenerado, a recuperação do tendão é muito mais lenta e difícil. Portanto, cuide bem do seu tendão! Realize atividades físicas somente com supervisão, faça pausas durante o período de trabalho e consulte um fisioterapeuta!

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Síndrome da Carteira (e ciatalgia)

Muita gente se queixa de dor no ciático...mas você sabe o que é o ciático?



O ciático (também conhecido como nervo isquiático) é um nervo que sai da região lombar e desce posteriormente pela perna até o pé, sendo assim o nervo mais importante do membro inferior. É também o mais longo nervo do corpo humano.
O ciático é muito conhecido, já que muita gente sofre de ciatalgia, e esta pode ser por diversas causas: distúrbios da coluna como  hérnia de disco, estenose do canal medular, degeneração dos discos vertebrais e  espondilolistese; inflamação do próprio nervo; ou ainda a compressão do mesmo.

Esta compressão pode ocorrer devido à tensão no músculo piriforme, que tem origem no sacro e se insere no fêmur. 
Na maioria das pessoas, o nervo ciático passa logo abaixo do piriforme, mas em alguns casos, o nervo pode passar por dentro músculo, sendo mais facilmente comprimido e gerando muita dor.

Um fato curioso é a chamada "Síndrome da Carteira". Mais comum em homens, já que estes costumam deixar a carteira no bolso de trás, a síndrome é causada pela compressão do nervo ciático pela carteira na hora em que a pessoa se senta em cima dela.
O ideal para casos de dor ciática é descobrir a verdadeira causa da dor, pois como descrito acima, suas origens podem ser muito variadas, e portanto, tratadas de forma diferenciada.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Estimulação elétrica funcional (FES) em pacientes com AVE

Artigo publicado no Journal of Physics: The effect of Functional Electric Stimulation in stroke patients’ motor control – a case report

A estimulação elétrica funcional (EEF) vem sendo estudada há muito tempo como recurso terapêutico para redução da espasticidade de pacientes hemiplégicos, porém não existem estudos sobre o efeito da EEF no controle motor destes pacientes durante tarefas funcionais como a manutenção do equilíbrio. Investigou-se a ativação muscular de gastrocnêmio medial e semitendíneo de ambos os membros de um pacientes hemiparético durante a postura ereta autoperturbada antes e após a EEF de tibial anterior, por meio da eletromiografia de superfície. Calculou-se os instantes dos picos máximos de ativação muscular de GM e ST logo após uma autoperturbação motora, a fim de observar o sinergismo muscular entre estes dois músculos, e as possíveis estratégias de equilíbrio utilizadas (estratégia do tornozelo ou do quadril). No membro preservado ocorreu a esperada sinergia distal-proximal (GM seguido de ST) para pequenas perturbações, porém no membro espástico houve inversão da sinergia (proximal-distal) após a EEF. É possível que a intervenção da corrente elétrica tenha inibido vias sinérgicas devido ao efeito antidrômico, dificultando a utilização da estratégia do tornozelo no membro espástico.


quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Transplante de células tronco na lesão medular


Já falamos aqui sobre a lesão medular e suas consequências, entre elas a paraplegia.
Ontem vimos uma notícia muito animadora a respeito de um transplante de células tronco bem-sucedido e um paraplégico que recuperou os movimentos das pernas. Veja a reportagem:

"Paraplégico dá primeiros passos após transplante pioneiro na Bahia.

Policial militar voltou a movimentar as pernas após nove anos.
Foram usadas células-tronco mesenquimais retiradas do próprio paciente.

Após seis meses do transplante de células-tronco realizado em Salvador, o major da Polícia Militar, Maurício Ribeiro, deu os primeiros passos. Ele caiu de um telhado e passou os últimos nove anos sem nenhum movimento da cintura para baixo.



"Eu dei o passo e me senti estranho, porque nove anos sem caminhar e perceber que eu estava conseguindo fazer isso sobre minhas próprias pernas. Então, foi uma sensação muito boa", emociona-se Maurício.

A cirurgia foi realizada depois de cinco anos de pesquisa. No procedimento, os médicos retiraram do osso do quadril do próprio paciente células-tronco mesenquimais, que têm grande capacidade de se transformar em diversos tipos de tecido, e injetaram diretamente no local onde a coluna foi atingida.

A técnica pioneira no país foi desenvolvida por cientistas da Fundação Osvaldo Cruz, no laboratório do Hospital São Rafael, em Salvador, onde está um dos mais avançados centros de terapia celular da América Latina. Dois meses depois de operado, Maurício já se equilibravasobre as pernas e até pedalava nas sessões de fisioterapia. Os médicos não sabem ainda se ele e os outros 19 pacientes que serão submetidos ao mesmo tratamento vão voltar a andar normalmente, mas já comemoram os resultados.



"É muito gratificante, e não somente isso, saber que isso é apenas uma ponta de iceberg, que com os resultados positivos nós podemos expandir essa técnica para um número maior de pacientes no futuro, além de continuar pesquisando formas de aprimorá-la", pontua Marcus Vinícius Mendonça, neurocirurgião.

Em entrevista, o neurocirurgião Marcus Vinícius Mendonça dá detalhes sobre o tratamento, confira no vídeo ao lado.

A família do policial militar nunca perdeu a esperança. "Quando aconteceu essa cirurgia, eu tive certeza de que Deus estava com a gente e que ele ia conseguir andar", declara Márcia Ribeiro, esposa de Maurício.

"Para quem não tinha nenhuma perspectiva, e hoje eu já tenho uma perspectiva de estar no andador, dando os primeiros passos, já é sinal de que alguma coisa está acontecendo, e daqui para frente acho que só tende a melhorar", espera Maurício."


Vemos que, apesar de ser um estudo ainda em fase teste, temos resultados promissores. Logo não podemos perder a esperança de um dia conseguir a cura da lesão medular e outras deficiências físicas.


Fonteg1.globo.com

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Protusão discal e Hérnia de disco

Os discos intervertebrais são importantes estruturas da coluna.



Com o envelhecimento, os discos intervertebrais vão perdendo sua hidratação e vão diminuindo de espessura. Isto faz com que o espaço entre as vértebras diminua. Quando somamos isto a movimentos excessivos ou repetitivos de flexão e extensão da coluna, estes discos podem serem comprimidos, e o ânulo fibroso sair de seu limite, causando a protusão discal.



Se esta protusão for ainda maior, com rompimento do ânulo fibroso e extravasamento do núcleo pulposo, temos a hérnia de disco. Uma hérnia pode chegar a comprimir raízes nervosas ou até mesmo a medula espinhal (que passa logo atrás das vértebras), e por este motivo os sintomas podem ir desde um formigamento nos braços ou pernas (dependendo se for na região cervical ou lombar), até causar dor intensa no trajeto do nervo comprimido. É muito comum ocorrer a dor no nervo ciático, o qual tem seu trajeto iniciando na coluna lombar e passa pelo glúteo e região posterior da perna. Também pode ocorrer, em casos mais graves, fraqueza e perda de função.


As hérnias na região lombar e cervical são as mais comuns, pois estas regiões apresentam maior mobilidade. Raramente ocorrem hérnias torácicas, e seus sintomas são mais inespecíficos.

O diagnóstico de uma hérnia pode ser clínico, mas são muito utilizados exames de imagem como ressonância magnética e tomografia.



Como tratamento inicial, deve ser realizado fisioterapia, com objetivo de aumentar espaço articular vertebral, reduzir dor e tensão muscular na região e estabilizar a coluna, por meio da ativação da musculatura profunda de coluna e abdômen. 


Em casos mais graves, onde o extravasamento do disco é muito grande e a compressão medular chega a prejudicar a função dos membros, pode ser realizado tratamento cirúrgico.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Acidente vascular encefálico

O acidente vascular encefálico (AVE), popularmente conhecido como derrame cerebral, é caracterizado por uma perturbação focal da função encefálica de inicio súbito, de origem vascular, cujos sinais persistem por mais de 24hs. 


O AVE pode ser isquêmico ou hemorrágico. O isquêmico ocorre quando há oclusão súbita de artérias que irrigam o cérebro, deixando parte dele sem o aporte de oxigênio necessário, causando morte celular na região. Já o hemorrágico pode acontecer por sangramento de uma das artérias do cérebro no tecido cerebral. O sangue, fora da circulação, é tóxico e pode também causar morte das células próximas à hemorragia. 

AVE hemorrágico
AVE isquêmico


Em escala mundial, o AVE é a segunda principal causa de morte. É uma doença que ocorre predominantemente em adultos de meia-idade e idosos. Além da alta mortalidade, muitos pacientes com AVE ficam incapacitados e necessitam de ajuda na vida cotidiana, que precisa ser proporcionada por familiares, pelo sistema de saúde ou outras instituições sociais. 

As manifestações clínicas do AVE dependem da localização e a extensão da lesão vascular. Os principais sintomas são: comprometimento motor (incluindo déficit de coordenação), comprometimento sensorial, afasia/disfasia (falta de fluência da fala), hemianopsia (comprometimento do campo visual de um lado) e ataxia (déficit de equilíbrio). 

Um dos quadros clínicos mais comuns após um AVE é a hemiplegia, que é caracterizada pela perda do movimento voluntário de um lado do corpo. Esta pode ser flácida ou espástica, sendo que normalmente o quadro se inicia com a fase flácida, que depois de um tempo variável se transforma em espástica. 

Entre as principais alterações motoras estão a espasticidade, a alteração no padrão da marcha, e o déficit no padrão sinérgico, levando a deteriorização do controle motor, que serão detalhadas abaixo: 

- Espasticidade: é o aumento anormal do tônus muscular nas respostas musculares fásicas e velocidade dependentes, com exacerbação dos reflexos profundos, clônus, e presença freqüente do efeito canivete. É decorrente da perda da inibição central do reflexo miotático de estiramento muscular, resultante das lesões de motoneurônio superior (do sistema nervoso central) ou da interrupção de suas vias (tratos corticoespinais) descendentes, que ocorre geralmente devido a lesões corticais e da cápsula interna. 

Ocorre predominantemente na musculatura antigravitária, resultando num padrão flexor de membro superior e extensor de membro inferior, que pode se acentuar em situações de frio, excitação, medo ou dor. 

A espasticidade diminui a habilidade de regulação do movimento voluntário, podendo causar deformidades estáticas e alterar a angulação articular durante a marcha. 

- Alteração no padrão de marcha: a marcha hemiplégica é comumente realizada com padrão ceifante, no qual predominam a abdução exagerada do membro no balanço, a diminuição da tríplice flexão, além de déficit de equilíbrio. Outras alterações encontradas na marcha destes pacientes são menor mobilidade de tornozelo, velocidade reduzida, balanço prolongado, diminuição da amplitude de movimento de dorsiflexão, pé equino e hiperextensão de joelho, e ativação precoce da musculatura do membro inferior parético, que se manteve ativada por tempo prolongado. 

- Déficit no padrão de sinergismo muscular: pacientes com sequela de AVE têm dificuldade em controlar o início do movimento e a atividade motora voluntária, logo estes pacientes podem ter uma alteração no controle do movimento.

A fisioterapia precoce é essencial para estes pacientes, atuando na modulação do tônus muscular (diminuição da espasticidade), ganho de flexibilidade e amplitude de movimento em articulações, fortalecimento muscular, treino de equilíbrio e marcha. A fisioterapia precoce previne deformidades e promove os melhores resultados, porém pode atuar em qualquer fase da doença, mesmo muito tempo após a lesão cerebral.