quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Acidente vascular encefálico

O acidente vascular encefálico (AVE), popularmente conhecido como derrame cerebral, é caracterizado por uma perturbação focal da função encefálica de inicio súbito, de origem vascular, cujos sinais persistem por mais de 24hs. 


O AVE pode ser isquêmico ou hemorrágico. O isquêmico ocorre quando há oclusão súbita de artérias que irrigam o cérebro, deixando parte dele sem o aporte de oxigênio necessário, causando morte celular na região. Já o hemorrágico pode acontecer por sangramento de uma das artérias do cérebro no tecido cerebral. O sangue, fora da circulação, é tóxico e pode também causar morte das células próximas à hemorragia. 

AVE hemorrágico
AVE isquêmico


Em escala mundial, o AVE é a segunda principal causa de morte. É uma doença que ocorre predominantemente em adultos de meia-idade e idosos. Além da alta mortalidade, muitos pacientes com AVE ficam incapacitados e necessitam de ajuda na vida cotidiana, que precisa ser proporcionada por familiares, pelo sistema de saúde ou outras instituições sociais. 

As manifestações clínicas do AVE dependem da localização e a extensão da lesão vascular. Os principais sintomas são: comprometimento motor (incluindo déficit de coordenação), comprometimento sensorial, afasia/disfasia (falta de fluência da fala), hemianopsia (comprometimento do campo visual de um lado) e ataxia (déficit de equilíbrio). 

Um dos quadros clínicos mais comuns após um AVE é a hemiplegia, que é caracterizada pela perda do movimento voluntário de um lado do corpo. Esta pode ser flácida ou espástica, sendo que normalmente o quadro se inicia com a fase flácida, que depois de um tempo variável se transforma em espástica. 

Entre as principais alterações motoras estão a espasticidade, a alteração no padrão da marcha, e o déficit no padrão sinérgico, levando a deteriorização do controle motor, que serão detalhadas abaixo: 

- Espasticidade: é o aumento anormal do tônus muscular nas respostas musculares fásicas e velocidade dependentes, com exacerbação dos reflexos profundos, clônus, e presença freqüente do efeito canivete. É decorrente da perda da inibição central do reflexo miotático de estiramento muscular, resultante das lesões de motoneurônio superior (do sistema nervoso central) ou da interrupção de suas vias (tratos corticoespinais) descendentes, que ocorre geralmente devido a lesões corticais e da cápsula interna. 

Ocorre predominantemente na musculatura antigravitária, resultando num padrão flexor de membro superior e extensor de membro inferior, que pode se acentuar em situações de frio, excitação, medo ou dor. 

A espasticidade diminui a habilidade de regulação do movimento voluntário, podendo causar deformidades estáticas e alterar a angulação articular durante a marcha. 

- Alteração no padrão de marcha: a marcha hemiplégica é comumente realizada com padrão ceifante, no qual predominam a abdução exagerada do membro no balanço, a diminuição da tríplice flexão, além de déficit de equilíbrio. Outras alterações encontradas na marcha destes pacientes são menor mobilidade de tornozelo, velocidade reduzida, balanço prolongado, diminuição da amplitude de movimento de dorsiflexão, pé equino e hiperextensão de joelho, e ativação precoce da musculatura do membro inferior parético, que se manteve ativada por tempo prolongado. 

- Déficit no padrão de sinergismo muscular: pacientes com sequela de AVE têm dificuldade em controlar o início do movimento e a atividade motora voluntária, logo estes pacientes podem ter uma alteração no controle do movimento.

A fisioterapia precoce é essencial para estes pacientes, atuando na modulação do tônus muscular (diminuição da espasticidade), ganho de flexibilidade e amplitude de movimento em articulações, fortalecimento muscular, treino de equilíbrio e marcha. A fisioterapia precoce previne deformidades e promove os melhores resultados, porém pode atuar em qualquer fase da doença, mesmo muito tempo após a lesão cerebral.

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