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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Luxação cervical: entenda o quadro de Laís Souza


Hoje foi dia de abertura das Olimpíadas de Inverno em Sochi, na Rússia.

A ex-ginasta brasileira Laís Souza, que ficou conhecida na ginástica artística pelo salto sobre a mesa,  iria representar o Brasil na categoria esqui aerials, porém sofreu um acidente durante os treinamentos e não vai participar.

Entenda a lesão de Laís:

Laís esquiava com seu técnico, Ryan Snow, quando caiu e bateu a nuca em uma árvore, o que levou a uma luxação da terceira vértebra cervical. A luxação é quando ocorre deslocamento de um osso em relação a outro, como na figura à direita.

Entretanto, logo atrás da coluna vertebral, temos a medula espinhal (conjunto de fibras nervosas que ligam o cérebro ao restante do corpo). Sendo assim, se uma vértebra se desloca, é possível que a medula seja comprimida e lesionada, interrompendo, parcial ou totalmente, a passagem de inputs nervosos do cérebro para o nosso tronco e membros e vice-versa, abaixo do nível da lesão.




Logo após o acidente, a atleta foi levada ao Hospital Universitário de Utah, em Salt Lake City. Lá foi realizada a cirurgia de fixação da vértebra, porém ainda não se sabe se as sequelas serão temporárias ou não, já que os médicos não divulgaram se a lesão da ex-ginasta foi parcial ou completa.


No caso de Laís, como a lesão foi na cervical, comprometeu o movimento de braços e pernas (tetraplegia), além de funções como a respiração e a deglutição. Por este motivo, Laís respira com ajuda de aparelhos, e passou por um procedimento de gastrostomia (colocação de sonda para alimentação direta no estômago).

A atleta brasileira foi transferida para o Hospital da Universidade de Miami - o mesmo onde Jaqueline, do vôlei, foi após sofrer uma fratura cervical - onde passará pela fase de readaptação, que consiste em readaptar o organismo para a nova condição, já que ela agora tem que se acostumar com a posição deitada. Posteriormente, em um centro de reabilitação, a equipe de fisioterapia será essencial para avaliar os movimentos remanescentes de Laís e escolher uma cadeira de rodas ideal para seu caso, e a partir daí ela será treinada para ter o máximo de autonomia dentro de seu quadro clínico.

Vamos torcer para que Laís se recupere o mais rápido e melhor possível, e também para nossos atletas nos jogos olímpicos de Sochi!

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Síndrome do chicote - acidentes automobilísticos

Estatísticas publicadas recentemente na revista Veja mostram que os acidentes automobilísticos são a segunda maior causa de morte no país. Além de muitos casos fatais, estes acidentes podem ter outras consequências, como fraturas, amputações e lesão medular.

Porém existe um tipo de lesão muito frequente em acidentes de trânsito, porém pouco comentada e entendida: a síndrome do chicote.

No Brasil, 300 a cada 100.000 habitantes são atendidos em setores de emergência por ano devido a esta síndrome. Considerando que muitos casos não são reportados nem diagnosticados, podemos afirmar que a incidência desta lesão é muito maior.

O mecanismo do chicote ocorre por uma aceleração-desaceleração de transferência de energia aplicada ao pescoço, e por isso é muito associada a acidentes de carro, já que é decorrente de freadas bruscas e/ou colisões.



O impacto na região cervical pode causar lesões ósseas e em tecidos moles, podendo ocasionar diversas manifestações clínicas, como cervicalgia (dor no pescoço), rigidez cervical, tontura e perda de equilíbrio, parestesias (distúrbios sensoriais como formigamento ou hipersensibilidade ao frio), alterações motoras no pescoço, e até problemas cognitivos, como a perda de memória. É comum também, além da dor cervical, dores em ombros, braços e coluna.

Esta série de sintomas pode se iniciar imediatamente após o acidente, ou até 15 horas depois. Entretanto, não há um critério diagnóstico concreto da síndrome, somente os sintomas referidos pelo paciente. É importante também realizar exames clínicos e de imagem para descartar fraturas, lesões musculares ou medulares.

A síndrome foi classificada segundo a Quebec Task Force em 4 graus:

- Grau 1: sem sem sinais físicos, mas com queixa de dor, rigidez e hipersensibilidade cervical;

- Grau 2: presença de problemas musculoesqueléticos como diminuição da amplitude de movimento e áreas de hipersensibilidade;

- Grau 3: Presença de sinais neurológicos, como déficits motores e/ou sensoriais ou anormalidade dos reflexos miotendíneos;

- Grau 4: Presença de fraturas ou luxações.

Apesar de não ser inteiramente esclarecida, acredita-se que existam lesões ocultas relacionadas ao mecanismo do chicote, como microfraturas nas articulações facetárias das vértebras. Também é possível que ocorram microlesões e distensões de estruturas como a cápsula articular, ligamentos, artérias, tecido neural e ânulo fibroso dos discos intervertebrais.



O tratamento inicial da lesão do chicote costumava ser a imobilização com colar cervical, porém estudos recentes concluíram que a imobilização prolonga o tempo de recuperação da síndrome. Portanto, o tratamento indicado atualmente é a fisioterapia. Com exercícios funcionais, deve-se aos poucos recuperar a amplitude de movimento e reeducar a musculatura, para que esta retorne aos padrões de movimento anteriores à lesão.


Por ser comumente associado a sintomas de estresse pós-traumático, o tratamento psicológico também é de grande valia para a recuperação dos indivíduos com a síndrome do chicote.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

O Futebol Paraolímpico

Continuando a série de posts sobre esportes paraolímpicos, irei falar da modalidade esportiva mais popular no Brasil: o futebol!


O futebol está representado nas Paraolimpíadas em duas modalidades: "futebol de cinco" e "futebol de sete".

O futebol de cinco é exclusivo para cegos ou deficientes visuais. As partidas podem ser em uma quadra de futsal adaptada ou em campos de grama sintética. 
Cada time é formado por cinco jogadores – um goleiro e quatro na linha. O goleiro é o único jogador que tem visão total e não pode ter participado de competições oficiais da Fifa nos últimos cinco anos. 



Diferente dos estádios com a torcida gritando, as partidas de futebol de cinco são silenciosas, em locais sem eco. A bola tem guizos internos para que os atletas consigam localizá-la. A torcida só pode se manifestar na hora do gol. Os jogadores usam uma venda nos olhos e se tocá-la é falta. Com cinco infrações, o atleta é expulso de campo e pode ser substituído por outro jogador. Há ainda um guia, o chamador, que fica atrás do gol, para orientar os jogadores, dizendo onde devem se posicionar em campo e para onde devem chutar. O jogo tem dois tempos de 25 minutos e intervalo de 10 minutos.

Os jogadores são classificados em 3 categorias:

B1 – Cego total: de nenhuma percepção luminosa em ambos os olhos até a percepção de luz, mas com incapacidade de reconhecer o formato de uma mão a qualquer distância ou direção.
B2 – Jogadores já têm a percepção de vultos. Da capacidade em reconhecer a forma de uma mão até a acuidade visual de 2/60 e/ou campo visual inferior a 5 graus.
B3 – Os jogadores já conseguem definir imagens. Da acuidade visual de 2/60 a acuidade visual de 6/60 e/ou campo visual de mais de 5 graus e menos de 20 graus.

Para garantir a igualdade entre eles, todos usam uma venda; porém em Jogos Paralímpicos, esta modalidade é exclusivamente praticada por atletas da classe B1 (cegos totais).

Já o futebol de sete é praticado por atletas do sexo masculino, com paralisia cerebral, decorrente de seqüelas de traumatismo crânio-encefálico ou acidente vascular encefálico. Cada time tem sete jogadores (incluindo o goleiro) e cinco reservas. A partida dura 60 minutos, divididos em dois tempos de 30, com um intervalo de 15 minutos. Não existe regra para impedimento e a cobrança lateral pode ser feita com apenas uma das mãos, rolando a bola no chão. Os jogadores pertencem às classes menos afetadas pela paralisia cerebral e não usam cadeira de rodas.



Os jogadores são distribuídos em classes de 5 a 8, de acordo com o grau de comprometimento físico. Quanto maior a classe, menor o comprometimento do atleta. Durante a partida, o time deve ter em campo no máximo dois atletas da classe 8 (menos comprometidos) e, no mínimo, um da classe 5 ou 6 (mais comprometidos). Os jogadores da classe 5 são os que têm o maior comprometimento motor e, em muitos casos, não conseguem correr. Assim, para estes atletas, a posição mais comum é a de goleiro. Vale lembrar que a paralisia cerebral compromete de variadas formas a capacidade motora dos atletas, mas, em cerca de 45% dos indivíduos, a capacidade intelectual não é comprometida.


Para receber informações sobre os outros esportes durante os Jogos Paraolímpicos, cadastre seu email no nosso site (ao lado direito da tela) ou curta nossa fan page no Facebook: www.facebook.com/fisioterapia.denisepripas.

Veja também:

quinta-feira, 10 de maio de 2012

A famosa tendinite

A tendinite é uma patologia que acomete os tendões, e pode acontecer em qualquer região do nosso corpo. 
Os tendões são estruturas fibrosas constituídas de tecido conjuntivo que ligam um músculo a uma estrutura óssea. A força de contração promovida pelo músculo é transmitida ao tendão, que por sua vez move o osso, gerando os nossos movimentos.



Da mesma forma, quando um músculo recebe uma carga de trabalho excessiva ou numa posição incorreta, esta é transmitida para o tendão. A sobrecarga no tendão acarreta em um processo inflamatório na região: a famosa tendinite!
Entre os principais sintomas da tendinite estão dor e edema (inchaço) da região acometida, e em casos mais severos pode evoluir com fraqueza muscular e diminuição dos movimentos da articulação.
As causas mais comuns de tendinite são as lesões por esforços repetitivos (LER/DORT) e o posicionamento incorreto no uso do computador.
A tendinite leve pode ser curada com repouso da articulação. Para diminuição da dor e edema pode ser usado o gelo, que além do efeito analgésico, diminui o processo inflamatório.
Em casos recorrentes ou crônicos (mais de 3 semanas), é indispensável realizar uma avaliação fisioterapêutica dos movimentos da articulação acometida. O fisioterapeuta deve indicar a posição e forma correta de realizar o movimento, por meio de exercícios passivos, assistidos, ativos e até resistidos. Também são importantes alongamentos e mobilização da região.
Além disso, a realização do ultrassom pode ser uma boa alternativa para atenuar a dor e a inflamação local.
Casos de tendinites não resolvidos podem causar degeneração dos tendões (tendinose). Uma vez degenerado, a recuperação do tendão é muito mais lenta e difícil. Portanto, cuide bem do seu tendão! Realize atividades físicas somente com supervisão, faça pausas durante o período de trabalho e consulte um fisioterapeuta!

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Síndrome do túnel do carpo

A síndrome do túnel do carpo é uma doença que ocorre quando o nervo mediano é comprimido. Este nervo passa, juntamente com os tendões dos músculos flexores de punho e dedos, pelo túnel do carpo (também conhecido como retináculo dos flexores), que é uma bainha fibrosa que reveste estas estruturas na altura do punho.


Os principais sintomas são formigamento no 2º, 3º e 4º dedos, podendo se estender para o resto do braço ou haver sensação de choque.

A causa mais comum dessa síndrome é manter o punho em flexão ou extensão excessivas ou por muito tempo, em posturas inadequadas ao escrever ou digitar, por exemplo. Esta posição causa uma inflamação dos tendões, comprimindo o nervo. Nestes casos estão inclusas as famosas LER (lesão por esforços repetitivos) ou DORT (distúrbios ósteo-musculares relacionados ao trabalho).

O melhor tratamento neste caso é a prevenção. Posturas adequadas no trabalho e em casa e pausas durante a jornada de trabalho são essenciais!

Veja dicas de como sentar-se corretamente ao usar o computador

Existem também casos de origem traumática (quedas) ou reumáticas (artrite reumatoide).

Em casos onde a síndrome já está instalada, deve-se fazer fisioterapia, cujo tratamento consiste em analgesia (com o ultrassom, por exemplo); imobilização da articulação do punho, se necessário, durante período inflamatório agudo; alongamentos e mobilização para lubrificar os tendões e assim, diminuir o atrito, dor e processo inflamatório, além da reeducação das posturas de trabalho ou gesto esportivo.


terça-feira, 6 de março de 2012

Movimento através do espelho

Semana passada, a seguinte notícia saiu na Folha.com: Espelhos ajudam a combater dor-fantasma em amputados.

Como isso é possível?

Todos nós temos em nosso cérebro áreas específicas para receber informações sensoriais vindas de cada parte do corpo. A representação destas áreas no cérebro ocorre como no famoso diagrama de Penfield:

Uma pessoa amputada, apesar de perder o membro, continua com essa área do cérebro ativa. Como não existe mais o membro para mandar as informações de sensibilidade para o cérebro, este fica "confuso" e pode interpretar isto como dor. Muitos amputados apresentam esta dor, a chamada dor-fantasma (o correto seria dor do membro fantasma, pois a dor é real!), e chegam até a sentir que o membro está disforme ou numa posição anatomicamente impossível, e portanto dolorosa.


Desta forma, ao colocar-se um espelho entre o membro sadio e o amputado nosso cérebro enxerga dois membros sadios, fazendo com que a ideia de um membro retorcido deixe de existir, e portanto, a dor deixa de existir também.

Outro caso em que a terapia do espelho é muito valiosa são casos de paresia (perda parcial do movimento de um ou mais membros). Já foi provado que ao imaginarmos algum movimento, ativamos a mesma região do cérebro que se ativaria ao realizarmos o movimento propriamente dito. Por este motivo, em muitos casos de acidente vascular encefálico, é pedido ao paciente que imagine o movimento do membro acometido mesmo antes de recuperar a força do mesmo. Sendo assim, por que não tornar esta imagem ainda mais real, colocando-se um espelho?


O ideal é colocar o espelho entre o membro acometido e o saudável, e pedir para o paciente tentar realizar o movimento igual nos dois membros. Mesmo que o acometido não faça o movimento correto (ou ainda nenhum movimento), as vias cerebrais responsáveis por este movimento estarão sendo ativadas, facilitando a recuperação do mesmo!

Já atendi pacientes amputados e com paresias utilizando o espelho, e posso dizer que o resultado é bem satisfatório!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Protusão discal e Hérnia de disco

Os discos intervertebrais são importantes estruturas da coluna.



Com o envelhecimento, os discos intervertebrais vão perdendo sua hidratação e vão diminuindo de espessura. Isto faz com que o espaço entre as vértebras diminua. Quando somamos isto a movimentos excessivos ou repetitivos de flexão e extensão da coluna, estes discos podem serem comprimidos, e o ânulo fibroso sair de seu limite, causando a protusão discal.



Se esta protusão for ainda maior, com rompimento do ânulo fibroso e extravasamento do núcleo pulposo, temos a hérnia de disco. Uma hérnia pode chegar a comprimir raízes nervosas ou até mesmo a medula espinhal (que passa logo atrás das vértebras), e por este motivo os sintomas podem ir desde um formigamento nos braços ou pernas (dependendo se for na região cervical ou lombar), até causar dor intensa no trajeto do nervo comprimido. É muito comum ocorrer a dor no nervo ciático, o qual tem seu trajeto iniciando na coluna lombar e passa pelo glúteo e região posterior da perna. Também pode ocorrer, em casos mais graves, fraqueza e perda de função.


As hérnias na região lombar e cervical são as mais comuns, pois estas regiões apresentam maior mobilidade. Raramente ocorrem hérnias torácicas, e seus sintomas são mais inespecíficos.

O diagnóstico de uma hérnia pode ser clínico, mas são muito utilizados exames de imagem como ressonância magnética e tomografia.



Como tratamento inicial, deve ser realizado fisioterapia, com objetivo de aumentar espaço articular vertebral, reduzir dor e tensão muscular na região e estabilizar a coluna, por meio da ativação da musculatura profunda de coluna e abdômen. 


Em casos mais graves, onde o extravasamento do disco é muito grande e a compressão medular chega a prejudicar a função dos membros, pode ser realizado tratamento cirúrgico.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Acidente vascular encefálico

O acidente vascular encefálico (AVE), popularmente conhecido como derrame cerebral, é caracterizado por uma perturbação focal da função encefálica de inicio súbito, de origem vascular, cujos sinais persistem por mais de 24hs. 


O AVE pode ser isquêmico ou hemorrágico. O isquêmico ocorre quando há oclusão súbita de artérias que irrigam o cérebro, deixando parte dele sem o aporte de oxigênio necessário, causando morte celular na região. Já o hemorrágico pode acontecer por sangramento de uma das artérias do cérebro no tecido cerebral. O sangue, fora da circulação, é tóxico e pode também causar morte das células próximas à hemorragia. 

AVE hemorrágico
AVE isquêmico


Em escala mundial, o AVE é a segunda principal causa de morte. É uma doença que ocorre predominantemente em adultos de meia-idade e idosos. Além da alta mortalidade, muitos pacientes com AVE ficam incapacitados e necessitam de ajuda na vida cotidiana, que precisa ser proporcionada por familiares, pelo sistema de saúde ou outras instituições sociais. 

As manifestações clínicas do AVE dependem da localização e a extensão da lesão vascular. Os principais sintomas são: comprometimento motor (incluindo déficit de coordenação), comprometimento sensorial, afasia/disfasia (falta de fluência da fala), hemianopsia (comprometimento do campo visual de um lado) e ataxia (déficit de equilíbrio). 

Um dos quadros clínicos mais comuns após um AVE é a hemiplegia, que é caracterizada pela perda do movimento voluntário de um lado do corpo. Esta pode ser flácida ou espástica, sendo que normalmente o quadro se inicia com a fase flácida, que depois de um tempo variável se transforma em espástica. 

Entre as principais alterações motoras estão a espasticidade, a alteração no padrão da marcha, e o déficit no padrão sinérgico, levando a deteriorização do controle motor, que serão detalhadas abaixo: 

- Espasticidade: é o aumento anormal do tônus muscular nas respostas musculares fásicas e velocidade dependentes, com exacerbação dos reflexos profundos, clônus, e presença freqüente do efeito canivete. É decorrente da perda da inibição central do reflexo miotático de estiramento muscular, resultante das lesões de motoneurônio superior (do sistema nervoso central) ou da interrupção de suas vias (tratos corticoespinais) descendentes, que ocorre geralmente devido a lesões corticais e da cápsula interna. 

Ocorre predominantemente na musculatura antigravitária, resultando num padrão flexor de membro superior e extensor de membro inferior, que pode se acentuar em situações de frio, excitação, medo ou dor. 

A espasticidade diminui a habilidade de regulação do movimento voluntário, podendo causar deformidades estáticas e alterar a angulação articular durante a marcha. 

- Alteração no padrão de marcha: a marcha hemiplégica é comumente realizada com padrão ceifante, no qual predominam a abdução exagerada do membro no balanço, a diminuição da tríplice flexão, além de déficit de equilíbrio. Outras alterações encontradas na marcha destes pacientes são menor mobilidade de tornozelo, velocidade reduzida, balanço prolongado, diminuição da amplitude de movimento de dorsiflexão, pé equino e hiperextensão de joelho, e ativação precoce da musculatura do membro inferior parético, que se manteve ativada por tempo prolongado. 

- Déficit no padrão de sinergismo muscular: pacientes com sequela de AVE têm dificuldade em controlar o início do movimento e a atividade motora voluntária, logo estes pacientes podem ter uma alteração no controle do movimento.

A fisioterapia precoce é essencial para estes pacientes, atuando na modulação do tônus muscular (diminuição da espasticidade), ganho de flexibilidade e amplitude de movimento em articulações, fortalecimento muscular, treino de equilíbrio e marcha. A fisioterapia precoce previne deformidades e promove os melhores resultados, porém pode atuar em qualquer fase da doença, mesmo muito tempo após a lesão cerebral.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Esclerose múltipla

A esclerose múltipla é uma doença neurológica crônica, de causa ainda desconhecida, com maior incidência em mulheres e pessoas brancas, entre 20 e 40 anos de idade. 

A esclerose múltipla ocorre devido à destruição da bainha de mielina – estrutura que recobre e isola as fibras nervosas – no sistema nervoso central. 

 Ainda não se sabe ao certo o que causa a degeneração da camada isoladora lipídica de mielina que envolve as células nervosas, porém uma hipótese muito discutida é que a destruição da mielina seja causada pelo próprio sistema imune do indivíduo, com alteração das células gliais (responsáveis pela produção e armazenamento da mielina). Também parece existir uma propensão genética à doença. 


Como manifestações clínicas ocorre uma piora do estado geral do paciente, frequentemente associada a fraqueza muscular, rigidez e dores articulares, incoordenação motora, perda do equilíbrio, dificuldade para andar, tremores e formigamentos. 

Em casos mais severos, a doença pode provocar insuficiência respiratória, incontinência ou retenção urinária, alterações visuais graves, perda de audição, depressão e impotência sexual. 

A progressão da doença é bastante variável, distinguindo-se três subtipos de esclerose múltipla, de acordo com a evolução da doença: 

- remissões alternadas com períodos de exacerbação; 
- grave e progressivo; 
- lenta e com sintomas moderados. 

O prognóstico da doença é muito variável, dependendo do subtipo de esclerose e idade de início dos sintomas. 

O paciente com esclerose múltipla deve realizar tratamento medicamentoso, aliado à fisioterapia, visando manter o paciente ativo e com uma boa qualidade de vida. 

Como objetivos do tratamento fisioterapêutico temos: fortalecimento muscular, ganho/manutenção de flexibilidade e amplitude de movimento articular, treino de coordenação motora, equilíbrio e marcha, diminuição da espasticidade e de distúrbios sensitivos, e orientações ao paciente e familiares ou cuidadores. Em casos mais graves, a fisioterapia pode atuar na área respiratória, com exercícios de reexpansão pulmonar e manobras de higiene brônquica.

Clique para a ver a notícia:

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Dor crônica

Dor: "experiência sensitiva e emocional desagradável associada a lesões reais ou potenciais ou descrita em termos de tais lesões" (definição da Associação Internacional para o Estudo da Dor).

A dor crônica é muitas vezes associada à depressão e, por este motivo, muitas vezes o diagnóstico de depressão induz ao diagnóstico concomitante de dor crônica, sem que haja investigação de afecções clínicas que podem causar a dor e que poderiam ser tratadas.


Cada indivíduo tem seu próprio limiar de dor, logo a intensidade e expressão da dor varia muito de pessoa para pessoa. Este limiar depende de fatores como aspectos ambientais, culturais e religiosos, experiências anteriores e estado emocional do indivíduo no momento da dor.

A modulação da dor depende da interação entre mecanismos excitatórios e inibitórios da dor e do estado funcional das estruturas nervosas que processam a sensibilidade à dor. Quando há dor prolongada, estresse, ansiedade e medo da dor, os mecanismos de modulação da mesma são modificados, podendo gerar dor crônica e até alterar a fisiologia do indivíduo.

O diagnóstico de dor crônica só deve ser dado após exclusão de qualquer outra causa de dor; e o tratamento deve ser realizado procurando-se eliminar fatores agravantes da dor, como distúrbios emocionais, psicológicos e de sono, além de recursos físicos de reabilitação para analgesia e relaxamento. A equipe multidisciplinar é importante para reduzir a dor, criar estratégias de enfrentamento da mesma, restabelecer o sistema de saúde e bem-estar do indivíduo, melhorando sua qualidade de vida.

Veja também:


segunda-feira, 25 de julho de 2011

Espondilolistese

A espondilolistese é quando ocorre o deslizamento anterior de uma vértebra no sentido anterior em relação à vértebra de baixo. Este escorregamento pode ocasionar dor e até comprimir raízes nervosas, causando distúrbios de sensibilidade e motores.





A espondilolistese tem duas principais causas: a espondilolistese degenerativa é comum em adultos e idosos, e é provocada pelo desgaste das facetas articulares, como parte do quadro natural de degeneração da coluna. Já a espondilolistese ístmica ocorre por um defeito das facetas articulares, que pode ser congênito ou devido a traumas, e por este motivo é mais comum na infância e adolescência. 

O escorregamento das vértebras costuma ocorrer na região lombar, principalmente entre as vértebras L5 e S1, devido à posição anatômica das mesmas. 

Os principais sintomas são dor na região lombar, dor irradiada pelo trajeto do nervo ciático (região posterior da perna), formigamento, diminuição ou perda de força e coordenação dos movimentos e, em casos mais graves, perda da capacidade de andar. 

O diagnóstico é realizado por raio-X ou ressonância magnética. Já o tratamento pode ser conservador, com medicamentos antiinflamatórios, relaxantes musculares e analgésicos; ou cirúrgico, por meio de artrodese (fusão das vértebras) ou técnicas de fixação dinâmica das vértebras.

A fisioterapia é muito importante para relaxamento muscular, analgesia e reequilíbrio da musculatura de coluna e membro inferior, além de restabelecer força e função perdidas.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Distonia cervical

A Distonia Cervical, também conhecida como Torcicolo Espasmódico, é uma doença cuja principal característica é a posição anormal da cabeça, que ocorre de maneira involuntária. É associada a espasmos da musculatura de cabeça e pescoço, e frequentemente à dor.


A distonia pode interferir no cotidiano do indivíduo, pois atrapalha funções como dirigir, ler, e também afeta o convívio social e a qualidade de vida.

Os "truques sensoriais" podem ser utilizados como estratégia de defesa, diminuindo os sintomas, que são menores durante o sono e início do dia, e pioram no fim do dia, com o cansaço e estresse.

A maioria dos casos é idiopática (de causa desconhecida), mas também pode ser secundária a um trauma musculoesquelético e alterações da visão e do sistema vestibular.
Ocorre uma execução anormal dos programas motores, por meio de inibição de certas regiões do cérebro e hiperativação de outras. Já os truques sensoriais indicam uma possível relação com déficits sensoriais.

Para classificar e diagnosticar corretamente uma distonia cervical, é necessário conhecer bem a musculatura de cabeça e pescoço e suas funções, pois o paciente pode ter o torcicolo em diferentes direções (torcicolo, anterocolo, retrocolo, laterocolo e elevação do ombro).

Os objetivos do tratamento são melhora dos sintomas, da funcionalidade e da qualidade de vida.

É necessário mesclar o tratamento medicamento à terapia física. Muitos pacientes também podem se beneficiar das aplicações da toxina botulínica.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Alterações motoras nos diabéticos


Uma das doenças crônicas com maior prevalência no mundo é a diabetes, e uma de suas mais graves complicações é a neuropatia diabética. 


O pé do diabético neuropata sofre diversas alterações, entre elas os distúrbios de sensibilidade, e por este motivo torna-se importante um cuidado maior com os pés de quem tem esta doença.

Entretanto, além das alterações de sensibilidade, os diabéticos neuropatas podem ter também alterações na ativação muscular, afetando atividades como andar, subir e descer escadas.

Principais alterações musculoesqueléticas dos neuropatas durante o andar:
- diminuição da amplitude de movimento do tornozelo;
- alterações na velocidade e comprimento dos passos;
- maior tempo de duplo apoio (enquanto os dois pés estão tocando o chão);
- atraso na ativação da musculatura distal da perna;
- menor força de propulsão.

Como os neuropatas tendem a andar mais devagar, percebemos pouco estas alterações, porém em situações em que eles são obrigados a andar mais rápido (para atravessar a rua, correr atrás de um ônibus, desviar de alguma coisa) ou realizar tarefas mais difíceis como subir e descer uma rampa ou escada, estas alterações ficam ainda mais visíveis.

Veja artigos sobre estas alterações durante:

Somando estas alterações musculares e articulares às alterações sensitivas já discutidas, vemos que os diabéticos neuropatas apresentam uma dificuldade motora importante em tarefas simples do cotidiano e, portanto, devem realizar um programa de fisioterapia precoce para evitar ou minimizar estes déficits.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

A visão do detalhe

É possível imaginar uma situação onde a pessoa enxerga perfeitamente, dá descrições detalhadas do que está vendo, mas não sabe identificar o que está vendo? Pense numa pessoa que olha para um sapato, descreve os cadarços (cor, comprimento, material com que é feito), o salto (altura, grossura, material), mas não tem idéia de que objeto é aquele, muito menos o que fazer com ele: assim é uma pessoa com agnosia visual!

A agnosia é a incapacidade de reconhecer objetos, paisagens ou rostos, mesmo com todas as funções sensoriais (inclusive a visão) intactas. Está geralmente associada a danos neurológicos nos lobos temporal e occipital do cérebro.



No caso mais específico de não reconhecimento de rostos, é chamada prosopagnosia, e é geralmente advinda de uma lesão na porção cortical do lobo occipital do cérebro. Pessoas nessas condições podem ter dificuldade até mesmo de reconhecer o próprio rosto no espelho, mas aprendem a utilizar truques como visualização de características marcantes, voz ou até mesmo o modo de andar para reconhecer as pessoas.

Para saber mais sobre este distúrbio, recomendo a leitura do livro “O homem que confundiu sua mulher com um chapéu”